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História do Dólar

O marco único do dólar está invariavelmente ligado ao facto de esta ter sido a primeira moeda internacional de sempre (algo que derivou em grande parte da enorme evolução da poderosa economia norte-americana), actualmente relegada para segundo plano pelo euro, ainda que aquele numerário continue a dominar mercados.

Embora o dólar tenha perdido força desde a introdução do euro, a sua presença mantém-se com utilização corrente em 10 territórios além dos Estados Unidos da América e não oficialmente em outras 12 nações. A moeda é igualmente a indexante única do valor de troca comercial em vários países, apesar de alguns destes terem entretanto alterado os seus índices para o euro por uma questão puramente financeira.

Um percurso de unidade

A longa história do dólar teve início ainda no período em que o domínio colonial se abatia sobre os EUA, na altura não designados como tal. Foi mais concretamente em 1792 que se forjaram as primeiras moedas daquele que viria a ser o padrão pelo qual o mundo tabelaria o valor do seu dinheiro nas praças especulativas internacionais.

Emitidas pela entidade reguladora, United States Mint, as primeiras notas e moedas de dólar eram em tudo semelhantes ao dólar mexicano, espanhol e prata de dólar norte-americano, numerários que serviam todos os propósitos comerciais em terras do Tio Sam. Contudo, o acelerado desenvolvimento da economia de um país emergente exigia independência em outras áreas, entre as quais a financeira, para a qual o dinheiro desempenhava um papel central de importância, daí a preocupação em se possuir uma moeda nacional e única.

A necessidade de emancipação no sector monetário, determinante para uma nação que se inclinava a passos largos para o mundo capitalista das sociedades de consumo foi, por isso, uma manobra de inteligência do Governo norte-americano dos finais do século XVIII. Contudo, esta integração do “dólar próprio” nos EUA apenas se concluiu 65 anos após a emissão das primeiras unidades, em 1857, tendo até essa data sido mantidas as três moedas anteriormente aceites, cuja circulação foi cessada por completo com vista a ser permitida a circulação exclusiva do dólar norte-americano.

Circulação e composição

O dólar norte-americano, comummente abreviado para USD ou US$ (United States Dollar, Dólar dos Estados Unidos) existe em seis moedas e sete notas, embora outras com valores maiores do que os actuais já tenham estado em circulação, tendo acabado por ser banidas com a definitiva implantação das transacções electrónicas.

Cada uma das moedas e notas possui as suas devidas ornamentações estéticas com a reprodução de imagens de figuras histórias e/ou monumentos nacionais de relevância, como mencionado abaixo entre parêntesis, correspondendo a primeira referência à cara e a segunda à coroa das moedas ou frente e verso no caso das notas.

Moedas: penny (0.01 – Abraham Lincoln e Lincoln Memorial), nickel (0.05 – Thomas Jefferson e bisão norte-americano), dime (0.10 – Franklin D. Roosevelt e um molho de oliva com ramos de carvalho), quarter (0.25 – George Washington e imagens alusivas aos Estados), half-dollar (0.50 – John F. Kennedy e Selo Presidencial) e dólar (1.00 – Sacagawea e águia calva a voar).

Notas: 1 dólar (George Washington e “grande selo”), 2 (Thomas Jefferson e Declaração da Independência), 5 (Abraham Lincoln e Lincoln Memorial), 10 (Alexander Hamilton e Edifício do Tesouro), 20 (Andrew Jackson e Casa Branca), 50 (Ulysses S. Grant e Capitólio) e 100 dólares (Benjamin Franklin e Independence Hall).

Em termos de conversão, um dólar é o equivalente a 100 cêntimos, apuráveis em 10 dimes, tendo em conta que cada um deles corresponde a 0.10 de um dólar. No entanto, as moedas com valor mais pequeno são pouco utilizadas e têm-no sido cada vez menos, sobretudo a de um dólar, curiosamente a mais elevada de entre as moedas, mas relegada para uma utilização quase nula devido à existência da nota de um dólar, a circular em simultâneo com a moeda de igual importância.

O aumento de notas em circulação fica a dever-se a um factor meramente cultural e não de opção distintiva, sendo precisamente contrário à ideia defendida pelos responsáveis da emissão de divisa há séculos atrás. Assim se explica o porquê do desaparecimento das notas de 100, 500, 1.000, 5.000, 10.000 e 100.000 dólares, afastadas da economia norte-americana em 1969, cerca de 23 anos após se ter cessado a sua produção.

Na base da extinção esteve a já exposta vulgarização das transacções através dos meios electrónicos, ficando também a dever-se à escassez de ocasiões em que notas de tão elevado valor pudessem ser usadas. Aquelas eram anteriormente comuns em negócios milionários, sobretudo nas gigantescas trocas entre entidades bancárias ou financeiras e no crime organizado, este último considerado pelo presidente Richard Nixon como uma das mais fortes razões para manter no activo somente as notas de menor importância monetária, adequando-se dessa forma a circulação ao real poder económico médio do país, relegando as transacções volumosas para as alegadamente seguras transferências de dados entre computadores.

Progressos e retrocessos do dólar

Após a emissão das primeiras notas e moedas de dólar (1972), a sua adopção teve lugar a breve trecho, em 1973, data a partir da qual foi adoptada definitivamente como divisa oficial dos Estados Unidos da América, num período em que a nação se debatia com fortes barreiras para se impor nos mercados internacionais.

Os anos inaugurais daquele que viria a ser durante longas décadas o numerário referência das transacções mundiais foram de expansão e o seu dinamismo, intimamente ligado a uma sólida e muito própria política monetária, permitiram que viesse a ser escolhida como a unidade comercial da Austrália, Canadá, Libéria, Nova Zelândia e Zimbabwe, além dos territórios norte-americanos, naturalmente. Assim se manteve e se desenvolveu até aos dias de hoje, sendo presentemente dominante nos EUA e em 23 territórios independentes, 12 dos quais de forma não oficial.

Desde o início do seu percurso, a “nota verde” tem sofrido vários reveses pontuados por subidas e descidas mais ou menos acentuadas, o que causou a oscilação do seu valor no decorrer dos anos. O dólar começou por equivaler a um peso espanhol e dividia-se em 100 cêntimos, mas a sua taxa de câmbio foi sendo alterada de forma constante, excepto em períodos de instabilidade dos mercados e crises pontuais, durante as quais via a sua força ser ligeiramente restringida.

Foi já em pleno século XX que a divisa norte-americana ultrapassou os numerários europeus, outrora incontestáveis referências de permuta, impondo-se assim como a moeda de troca nos negócios internacionais. Porém, apenas em 1944 se oficializa essa hegemonia do dólar, numa data que ficou ainda marcada pelo reconhecimento da divisa dos EUA como a única a poder ser directamente convertida no metal precioso, o ouro, ao abrigo dos acordos de Bretton Woods, nos quais se determinou que uma onça de ouro valeria exactamente 35 dólares.

A moeda corrente da então superpotência mundial atingiu desta forma o seu auge pouco mais de seis anos depois, na década de 50, tendo-se mesmo assumido como a principal ferramenta de compra e venda, sendo inclusivamente escolhida ao invés do ouro, não porque valesse mais, obviamente, mas por facilitar as transacções, já que se tratava de um numerário real e não um mineral precioso de complexa segmentação.

Contudo, a preferência pela “nota verde” acabou a longo prazo por ditar a sua queda abrupta, em grande parte devido à sua conjugação com o défice orçamental entretanto desenvolvido nas finanças dos EUA, pois a nação importava bastante mais bens do que os vendidos ao exterior. Na sequência desses acontecimentos, as reservas da divisa norte-americana na Europa e outros países aumentou consideravelmente, de tal maneira acentuada que se criou o eurodólar, termo que designa os depósitos da divisa das “terras do Tio Sam” em instituições situadas fora do espaço estado-unidense.

É neste contexto que chega ao poder o presidente Richard Nixon, verdadeiro salvador do dólar. Graças a si e à equipa que o acompanhou foi tomada a crítica decisão de pôr termo à convertibilidade do dólar em ouro a 15 de Agosto de 1971, uma medida que foi suficiente para causar a imediata desvalorização da moeda, o que resultou num reajuste da sua equivalência para 38 dólares por onça de ouro (Dezembro de 1971) e já em Fevereiro de 1973 uma nova actualização para 42 dólares/onça.

O fim da convertibilidade do dólar em ouro foi uma importante alteração para os EUA, mas violou terminantemente o que havia sido firmado nos acordos de Bretton Woods e alertou o mundo das finanças para as possibilidades de tal voltar a acontecer com outras nações que pudessem vir a assumir o lugar deixado vago pela divisa norte-americana. Porém, nenhuma outra moeda ocupou a função abandonada sem aviso prévio pelos anteriores detentores daquela responsabilidade (e privilégio a vários níveis além do económico), tendo o Fundo Monetário Internacional (FMI) adoptado uma posição mais proeminente na vigilância das taxas de conversão e demais aspectos relacionados com o funcionamento do sistema financeiro internacional como um todo.

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